Pinturas murais descobertas em Valverde
NN - Macedo de Cavaleiros,
Sexta-feira, Agosto 25, 2006

         
       
O altar da igreja de S. Vicente, templo do século XV, em Valverde, uma aldeia da Freguesia de Pinela, em Bragança, estava a ser restaurada pela técnica Susete Almeida, quando por baixo de algumas camadas de tinta, reapareceram pinturas de ornamentos florais, que a técnica de restauro acredita serem anteriores ao século XVIII.
"Os ornamentos foram ficando visíveis à medida que se iam retirando as várias camadas de tinta. Primeiro apareceu uma pintura, depois, com a continuação do restauro, apareceram mais", explicou a técnica ao JN.
Após retirada da pintura actual ficou visível um arco, típico de altares antigos, e o verdadeiro tom do ouro que havia sido usado no altar, embora bastante danificado. Estas pinturas são recuperáveis uma vez que não haviam retirado as pinturas originais, apenas pintaram por cima.
A datação exacta destas pinturas só poderá acontecer se for realizado um estudo prévio, mais profundo e específico através do recurso ao arquivo e documentação de obras.
A técnica, diz que naquela época as coisas chegavam à região muito tarde, pelo que as imagens poderão até ser anteriores ao século XVIII e pensa tratar-se de um achado muito importante e acredita que a igreja de S. Vicente é um templo rico, devido aos paramentos, apesar da sua simplicidade e da aldeia ter somente 10 habitantes.
A lhéngua do planalto
NN - Macedo de Cavaleiros,

         
       
O resultado do estudo da linguista Manuela Barros Ferreira caracteriza o Mirandês, que foi reconhecido por lei no fim da década de noventa, como sendo "uma língua do Nordeste de Portugal que ocupa uma área de 500 Km2. Teve origem num dos romances peninsulares formados a partir do latim vulgar, nomeadamente do asturo-leonês, pelo que pertence ao grupo das línguas românicas. A sua formação foi um processo longo, contemporâneo da formação galaico-portuguesa. Sofreu grande influência do Português, sobretudo a partir do século XVI, tendo chegado a ser inteiramente substituído por este em Miranda do Douro. Foi conservada nas aldeias envolventes como língua de transmissão oral. Na actualidade, não é falada por mais de sete mil pessoas, mas, se se acrescentar os emigrantes, o número poderá rondar os 12 a 15 mil falantes".
Mas o mirandês foi dado a conhecer em 1882 por José Leite de Vasconcelos numa visita ao planalto mirandês: "Não é o Português a única língua usada em Portugal, aqui fala-se também o Mirandês" afirmou o escritor e filólogo.
Amadeu Ferreira, escritor e estudioso da "lhéngua" defende que é necessário "começar a alfabetizar em Língua Mirandesa, à semelhança do que aconteceu no período pós-25 de Abril com a população adulta em relação à Língua Portuguesa" e explica que "hoje, o Mirandês já não é apenas uma língua oral que sobreviveu num rincão trasmontano confinado ao concelho de Miranda do Douro e parte do de Vimioso; para saber escrever em Língua Mirandesa (a segunda língua oficial em Portugal), é preciso estudar e aprender; este é o momento certo para começar a alfabetizar as pessoas, ensinando-as a escrever a sua língua, mas também a poderem ler o Mirandês", declarou Amadeu Ferreira ao JN.
Quem tiver vontade de aprender o Mirandês e enquanto o Ministério da Educação não assume a responsabilidade de alfabetizar aqueles que queiram aprender esta língua, existe um grupo de pessoas preparadas para o fazer.
Existem também, uma série de instrumentos de aprendizagem. Além da gramática da "lhéngua", cuja data é de 1900, existe também a Convenção Ortográfica da Língua Mirandesa, gramática e dicionários de Mirandês, uma vasta colecção de publicações quer em prosa, quer em poesia de autores que estudaram e aprenderam a escrever o Mirandês.
On line existe um dicionário de aproximadamente de vinte e cinco mil entradas e neste momento está em fase embrionária a publicação de uma nova gramática da "lhéngua", para substituir a de 1900.
A Junta de Freguesia de Sendim, uma freguesia do concelho de Miranda do Douro, promoveu um curso de Mirandês que juntou à volta de 30 alunos dos concelhos de Miranda do Douro, do Porto e de Braga.
A Associação de Língua Mirandesa, sedeada em Lisboa, devido ao interesse cada vez maior por esta lingua, lecciona cursos de Mirandês há já seis anos, por onde já passaram mais de 200 alunos, na maioria mirandeses, distribuídos por duas turmas, sendo uma em Lisboa e outra em Corroios.
UTAD traduz enciclpédia do ambiente
NN - Macedo de Cavaleiros,
Terça-feira, Agosto 15, 2006

         
       
O projecto “ESPERE", Environmental Science Published for Everybody Round the Earth está a ser executado por uma equipa de docentes do Departamento de Física da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) que está a traduzir para português a Enciclopédia do Ambiente, dentro do âmbito de um projecto-piloto apoiado pela Comissão Europeia e cuja finalidade é disponibilizar informação científica actual e com todo o rigor sobre o clima.
O projecto pretende veicular um texto científico que seja de fácil assimilação para o cidadão comum e também para ser usada nas salas de aulas.
Com a Enciclopédia do Ambiente disponível na Internet, os interessados em temas como o clima, o ar, o gelo, a água, as rochas, o solo e a vida vão ficar mais esclarecidos.
Estórias do azeite
NN - Macedo de Cavaleiros,
Quarta-feira, Agosto 09, 2006

         
       
"Estórias do azeite", é o título do livro editado no âmbito da Rota do Azeite pelo grão-mestre da Confraria de Gastrónomos e Enófilos, António Monteiro.
António Monteiro é um estudioso da gastronomia, das tradições e de histórias de Trás-os-Montes e Alto Douro e defende a preservação de tudo quando for importante para passar às gerações vindouras.
As “Estórias do azeite" foram traduzidas em inglês e francês, um trabalho bastante difícil uma vez que a linguagem regional perde facilmente o impacto quando traduzida para outra língua.
Este livro além de estórias de oliveiras, retrata rituais de curandice em que o azeite é elemento fundamental, "muita da nossa cosmética e farmacologia assenta naquelas situações", afirma o autor, e se "hoje já se sabe porque é que o uso do azeite era útil, antigamente era intuitivo".
E para aguçar o apetite transcrevemos um pequeno excerto da obra: “Para desgosto de todos, o ti Alípio não conseguiu que a sua cândida lhe parisse homens machos nem mulheres fêmeas, apenas a Virgínia da Conceição – uma rapariga tão bechigosa e tão brutinha, de trejeitos tão irritantes quando soltava gargalhadas à toa, que nem o chocho do Chico Mundilho lhe pegou".
5.ª Edição do Festival de Música Medieval de Carrazeda de Ansiães
NN - Macedo de Cavaleiros,
Sábado, Agosto 05, 2006

         
       
Após a realização da 5.ª edição do festival de musica medieval de Carrazeda de Ansiães realizado nos dois últimos fins-de-semana de Julho, o “criador” deste evento, Pedro Caldeira Cabral, em jeito de balanço declarou à imprensa que "ao fim de cinco anos verificamos que o festival não cresceu e há que repensá-lo".
O organizador defende que o festival deve regressar às origens, ou seja "regressar ao castelo de Ansiães" e advoga que logo que a estrutura histórica reúna condições para tal "será a melhor alternativa para apresentar o festival de música medieval".
É de salientar que as duas primeiras edições do festival, se realizaram no castelo de Ansiães, no entanto devido às baixas temperaturas registadas durante a noite, fizeram com que os concertos fossem realizados nas igrejas de três freguesias do concelho de Carrazeda de Ansiães.
Pedro Caldeira Cabral também defende que urge "repensar as datas do festival" para não coincidir com outros eventos, mormente com romarias de cariz popular, que por sua vez, atraem um maior número de pessoas.
Apesar da vice-presidente do Município, Natália Pereira, concordar que o evento regresse ao castelo de Ansiães, e que este ano não foi possível por questões logísticas, o festival vai manter-se no cartaz cultural de Verão do Município de Carrazeda de Ansiães e a edilidade entende que é uma forma de cativar novos públicos e de atrair pessoas ao concelho.
Sétima Edição do Festival Intercéltico de Sendim
NN - Macedo de Cavaleiros,
Sexta-feira, Agosto 04, 2006

         
       
A sétima edição do Festival Intercéltico de Sendim (FIS) inicia-se amanhã na Plaza Maior da localidade espanhola de Fermoselle e a organização continua a cargo do Centro de Música Tradicional "Sons da Terra" e da associação de juventude Marai q' Alforjas, que, desde 2000, tem tornado a vila de Sendim do concelho de Miranda do Douro, na capital do folk na região transfronteiriça do nordeste transmontano.
Este ano, o festival tem um formato inédito, e realiza-se em regiões transfronteiriças devido às vivências cada vez mais próximas das duas regiões, tal como explica um dos organizadores do FIS ao JN "desde há muito tempo que as gentes de Sendim e Fermoselle se encontram regularmente, partilhando vivências e convívio. E sempre se estabeleceram entre as duas comunidades diversas relações económicas, culturais e sociais, potenciadas pela aproximação física. A partilha cultural entre as terras de Sayago e Miranda, acabou por ser determinante ao longo destes seis anos de celebrações intercélticas", declarou Mário Correia.
Música, exposições, palestras, visitas arqueológicas, gastronomia, tradição e lazer são, algumas das actividades paralelas agendadas para esta edição do Festival, onde cada noite acaba na Taberna do Celtas.
Em Sendim, no Parque das Eiras, o gaiteiro mirandês Célio Pires vai abrir o certame, seguindo-se as actuações dos Hexacore de Castela e os irlandeses Lúnasa.
Durante o dia de sábado, é inaugurada a exposição "José Afonso – amigo maior que o pensamento", e visitas arqueológicas a santuários rupestres da região são outras das actividades também agendadas. Lá mais para a noite, irão actuar os Mielotxin (Navarra), e os galegos Burrogueto. O FIS no que concerne à música encerra com a desejada actuação do gaiteiro asturiano Hévia.
A Missa Solene da Andavias, um costume religioso oriundo da região espanhola de Zamora é celebrada no domingo, na igreja paroquial de Sendim, encerrando assim a sétima edição do Festival Intercéltico de Sendim.
Geologia de Morais atrai campo de estudos
NN - Macedo de Cavaleiros,

         
       
No maciço de Morais, em Macedo de Cavaleiros, encontra-se bem representada a sutura do Orógeno Varisco. Num curto espaço geográfico, podem observar-se testemunhos do Continente Laurússia, do Oceano Rheic e do Continente Gondwana, os dois continentes e o oceano envolvidos na formação da Cadeia de Montanhas Varisca, formada entre 390-380Ma.
Em Geologia os maciços de Morais e Bragança correspondem aquilo que se denomina de terrenos exóticos, ou seja, terrenos que são formados num determinado local e que depois sofrem uma evolução até acabar por se instalar numa outra zona completamente diferente. Nestes casos são denominadas unidade alócones (de fora) e estão implantados sobre terrenos autóctones (terrenos que se formaram e evoluíram no mesmo local). Tudo isto aconteceu, há milhões de anos, quando se deu a abertura do Oceano Atlântico. Estas duas unidades são importantes a nível de metamorfismo de região, porque é possível encontrar rochas muito antigas, metamórficas. No local existem ainda serpentinites, um tipo de rocha que se vende a bom preço e que já foi importante para o comércio de Bragança, mas que actualmente a pequena exploração que existia não está a proceder à extracção.
E o interesse geológico destes maciços rochosos, dos mais antigos da Europa, atraiu à região transmontana cento e cinquenta jovens de várias nacionalidades que participam num campo de estudos organizado pela EUGEN-European Geology Students Network.Durante durante uma semana os estudantes de Geologia de várias universidades permanecerão no parque de campismo Sobre Águas, perto de Bragança, uma região desconhecida para a maioria deles, oriundos de países tão diferentes como Itália, a Alemanha, a Eslovénia, a França, a Suiça, a Croácia, a Roménia, a Polónia, a Noruega e o Brasil.
Cada estudante efectuou um pagamento de apenas 65 euros ficando as restantes despesas a cargo da Câmara Municipal de Bragança.
O primeiro encontro de geólogos realizou-se em 1996 na Floresta Negra, na Alemanha e desde então tem acontecido todos os anos com cada vez mais adeptos, proporcionando um particular intercâmbio internacional entre os jovens estudantes de geologia.
Embora as rochas da região fossem o motivo principal desta viagem de milhares de quilómetros, a vertente do convívio e da oportunidade de conhecer uma nova região são também aliciantes. Os jogos tradicionais adaptados à Geologia e as visitas turísticas fazem também parte do programa.
Além dos maciços de Morais e Bragança, as antigas minas de Ferro de Torre de Moncorvo e o Parque do Douro Internacional são pontos a visitar. As visitas são guiadas por professores de universidades portuguesas que explicarão, in loco, a geologia dos locais.
Bragança foi escolhida após uma candidatura apresentada por Portugal, no ano transacto. A maioria dos membros do EUGEN escolheu Bragança porque é diferente do que conheciam.
O acampamento montado junto ao rio Sabor, transformou-se num local aprazível onde a música de Zeca Afonso alegra o ambiente.
O Silêncio das Cegonhas
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