JORNAL ONLINE-REGISTO ERC Nº 125301 - DIRECTOR : LUIS PEREIRA

Nordeste já tem museu da máscara

NN - publicado quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2007

            
Foi inaugurado no sábado, dia 24 de Fevereiro, o Museu Ibérico da Máscara e do Traje, numa antiga casa na cidadela de Bragança.

Este é um projecto transfronteiriço dinamizado pela Câmara de Bragança em colaboração com a província de Zamora, e foi criado com o objectivo de defender e preservar a identidade cultural daquela região, relacionada com as tradições das máscaras e dos mascarados.

A instalação deste museu surgiu há seis anos atrás, aquando da realização da primeira edição da Bienal da Máscara, a Mascararte, sendo depois desenvolvidos vários projectos entre as duas regiões tendo por base a máscara, nomeadamente um estudo sobre a Máscara Ibérica, que também foi apresentado na inauguração e que tem como objectivo a classificação como Manifestação de Interesse Cultural, e a criação de uma Academia da Máscara.

O Museu tem três pisos, objectos de vinte e nove localidades, sendo dezoito de Trás-os-Montes e onze da província de Zamora e em exposição permanente vão estar sessenta máscaras, quarenta e cinco trajes e quarenta e seis artesãos.

A autarquia de Bragança possibilita aos artesãos a venda directa dos seus produtos e foi criada uma rede de artesãos que vão produzir todo o artesanato que está à venda no local.

Este investimento ficou em cerca de trezentos mil euros.

O dia que nos roubou o Zeca

NN - publicado segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2007

            
Na História de Portugal, o dia 23 de Fevereiro ficará para sempre marcado pela morte de José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, o autor, cantor, compositor e músico que ficou mais conhecido como Zeca Afonso.

Faz hoje duas décadas que Zeca partiu e que o país ficou mais pobre devido ao desaparecimento prematuro de um poeta, de um músico, e sobretudo de um cidadão que colocava em primeiro lugar o homem, a democracia, a liberdade, a igualdade de direitos e a solidariedade humanista.

Era dia 23 de Fevereiro de 1987 quando Zeca Afonso, com 57 anos de idade, faleceu no Hospital de Setúbal, vítima de esclorose lateral amiótrófica. Morria nesse dia o maior trovador de todos os tempos da música popular portuguesa.

Da liberdade, da liberdade em que tanto acreditou e pela qual lutou, usufruiu apenas escassos 13 anos. Se hoje fosse vivo, Zeca Afonso teria motivos de sobra para cantar e dizer que o país continua a ser pardo e incompreensivelmente injusto.

Zeca Afonso sofreu e cantou em nome da liberdade, sofreu e cantou em nome dos mais desfavorecidos, mas conseguiu abrir, quer através da poesia do povo ou de poetas consagrados, quer através da sua própria poesia e da sua música, uma luta sem tréguas contra a opressão, contra o obscurantismo, contra a ignorância e contra o cinzentismo de um país acorrentado e triste.

Zeca, o rosto e o símbolo da utopia, também cantou o Nordeste, um desventurado nordeste, através do tema popular “ Em Terras de Trás-os-Montes”:

Em terras de Trás-os-Montes
Entre Coelhoso e Parada
Uma história verdadeira
Foi ali mesmo contada

Algemado por dois pides
Na manhã de vinte e três
Lá vai Manuel Augusto
Sem mesmo saber porquê

Com ele vai Marcolino
Bufo dos Dominadores
Ide às minas da Ribeira
Vereis quem são os Senhores

Nesse lugar de trabalho
Nos confins da exploração
Diz o Marcolino aos pides
Apertem-me esse cabrão

Não contente com a prova
Do zelo que assim mostra
Àquele rapaz honrado
Esta fala então lhe dava:

Sabemos da tua vida
Amanhã por esta hora
Irás para o forte de Elvas
Diz adeus à vida boa

Também o José António
Foi na mesma interrogado
Assassino Marcolino
Foste o primeiro culpado

Entre Parada e Coelhoso
Ainda reina a opressão
Não deixem fugir o melro
Não quebrem vossa união

Várias iniciativas decorrem hoje de Norte a Sul do país com o único intuito de homenagear o músico poeta. Desde colóquios a exposições, passando pelos espectáculos ou por um simples gesto de recordação, tudo constituirá uma singela homenagem ao cantor que se hoje fosse vivo teria 77 anos de idade.

Mas no Nordeste nem o sussurro do seu nome. Nada. Um silêncio medonho.

Pelo Zeca Afonso fica então aqui a humilde homenagem do Notícias do Nordeste.

A equipa do Notícias do Nordeste [23-02-2007]

Podence queimou Entrudo 2007

NN - publicado quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007

            
O ambiente era real. A ancestralidade adensou-se, pouco a pouco, até explodir em chama, em som e em cor.

Terminou ontem, por volta das 18 horas da tarde, o Entrudo Chocalheiro na aldeia de Podence.

Quem esteve presente à queima do Entrudo de Podence sentiu que Portugal tem um Carnaval muito próprio, rico, emocionante, muito nosso.

O espectáculo, porque de um espectáculo se trata, não tem concorrentes, nem pode ter, porque só em Podence se sente um Entrudo desta maneira.

A organização do evento deste ano estava visivelmente satisfeita. Todas as iniciativas foram amplamente participadas e Podence viu-se invadida por um número pouco habitual de pessoas que, na sua maior parte, se constituíam por turistas de outras regiões que aproveitaram este fim-de-semana prolongado para entrar em contacto com o Entrudo mais genuíno d e Portugal.

António Carneiro, da Casa do Careto de Podence, não podia estar mais satisfeito. Em declarações ao NN, o presidente daquela associação referiu que este ano “ foram superadas todas a expectativas. Isto dá-nos força e é para continuar”, garantiu.

Depois de uma aposta assente na qualidade, o Entrudo Chocalheiro de Podence ganhou um novo fôlego.

Para o próximo ano há mais.

Lotação Esgotada

NN - publicado

            
Podence é uma aldeia que vai ficar no mapa das iniciativas culturais neste Carnaval de 2007.

Depois de “Domingo Gordo”, em que o número de visitantes esperados na aldeia de Podence ultrapassou todas as expectativas, a segunda-feira que antecede o Carnaval, ficou marcada por uma iniciativa que primou pela originalidade e sobretudo pela oportunidade de aliar o ambiente festivo carnavalesco, à festa da cultura.

Ontem, a Casa do Careto de Podence era demasiadamente pequena, apresentando-se com a lotação completamente esgotada, com a maioria dos espectadores a assitirem a um documentário, que tem a duração aproximada de duas horas, em pé. O enfoque das pessoas que aí se dirigiram estava centrado no filme de Noémia Delgado, intitulado “Máscaras”.

O filme retrata uma realidade cultural centrada no nordeste transmontano, onde os Caretos de Podence preenchem uma fracção da película que na altura em que foi projectada no ecrã da sala da Casa do Careto criou uma reacção de autêntico revivalismo entre os presentes. Os que já não estão, os que estão e estão diferentes, uns e outros e todos; todos se sentiram retratados no filme de Noémia Delgado.

O Notícias do Nordeste auscultou algumas das emoções, mas o mais importante ressalta do depoimento que António Carneiro, Presidente da Casa do Careto de Podence, deu para o Notícias do Nordeste: “ foram superadas todas a expectativas. Isto dá-nos força e é para continuar”.

I Congresso Nacional sobre a sonoridade da Gaita-de-foles

NN - publicado terça-feira, 20 de Fevereiro de 2007

            
A Gaita-de-foles genuína Mirandesa tem vindo a ser substituída por instrumentos semelhantes de outras regiões há dez anos a esta parte.

Estes instrumentos tão antigos na região, têm vindo a ser substituídos, aos poucos, por modelos que não têm nada a ver com esta região do Nordeste Transmontano.

Um grupo de pessoas ligadas ao estudo e fabrico deste instrumento musical, no intuito de salvaguardar e preservar a gaita-de-foles mirandesa, lançou um desafio para que os actuais construtores fabriquem gaitas com um determinado padrão, para que vários músicos as possam tocar em conjunto, sem dispersão de sonoridades.

Nos dias de hoje, existem várias afinações do instrumento, mas ainda não há consenso quanto ao modelo a utilizar. Nesse sentido, estão a ser estudadas várias ponteiras de gaita-de-foles para atingir a padronização e o reconhecimento oficial da Gaita Mirandesa.

Jorge Lira, coordenador deste projecto, diz que numa segunda fase será delineado um padrão para que a gaita mirandesa seja construída de maneira idêntica por todos os artesãos. “A padronização é um passo determinante para a sua salvaguarda e preservação da gaita mirandesa, cancioneiro respeitante e tradições musicais, culturais e sociais agregadas, indissociáveis da verdadeira identidade da região”, explicaram os especialistas desta área.

Com vista á realização do I Congresso Nacional sobre esta temática, Miranda do Douro foi anfitriã da Comissão Técnica da Gaita Mirandesa na sua primeira reunião e o 1.º congresso ficou marcado para o mês de Agosto deste ano.

Lotação Esgotada

NN - publicado

            
Podence é uma aldeia que vai ficar no mapa das iniciativas culturais neste Carnaval de 2007.

Depois de “Domingo Gordo”, em que o número de visitantes esperados na aldeia de Podence ultrapassou todas as expectativas, a segunda-feira que antecede o Carnaval, ficou marcada por uma iniciativa que primou pela originalidade e sobretudo pela oportunidade de aliar o ambiente festivo carnavalesco, à festa da cultura.

Ontem, a Casa do Careto de Podence era demasiadamente pequena, apresentando-se com a lotação completamente esgotada, com a maioria dos espectadores a assitirem a um documentário, que tem a duração aproximada de duas horas, em pé. O enfoque das pessoas que aí se dirigiram estava centrado no filme de Noémia Delgado, intitulado “Máscaras”.

O filme retrata uma realidade cultural centrada no nordeste transmontano, onde os Caretos de Podence preenchem uma fracção da película que na altura em que foi projectada no ecrã da sala da Casa do Careto criou uma reacção de autêntico revivalismo entre os presentes. Os que já não estão, os que estão e estão diferentes, uns e outros e todos; todos se sentiram retratados no filme de Noémia Delgado.

O Notícias do Nordeste auscultou algumas das emoções, mas o mais importante ressalta do depoimento que António Carneiro, Presidente da Casa do Careto de Podence, deu para o Notícias do Nordeste: “ foram superadas todas a expectativas. Isto dá-nos força e é para continuar”.

UTAD confere doutoramento Honoris Causa a António Lobo Antunes

NN - publicado quinta-feira, 15 de Fevereiro de 2007

            
António Lobo Antunes é um escritor português e um dos autores mais conhecidos de Portugal, juntamente com José Saramago, tendo por várias vezes já sido considerado um sério candidato ao Prémio Nobel da Literatura.

Lobo Antunes é licenciado em Medicina, com especialização em Psiquiatria. Esteve destacado em Angola, entre 1970 e 1973, durante a fase final da Guerra Colonial portuguesa.

A sua experiência de guerra inspirou muitos dos seus livros. Regressado a Portugal, trabalhou no hospital psiquiátrico Miguel Bombarda, em Lisboa. Foi militante da APU (Aliança Povo Unido - coligação liderada pelo Partido Comunista Português) em 1980. Actualmente vive em Lisboa, mas já não exerce medicina, dedicando-se em exclusivo à escrita.

O Senado da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, aprovou por unanimidade a proposta do actual reitor, Mascarenhas Ferreira, para a atribuição do grau de Doutor Honoris Causa ao escritor António Lobo Antunes.

A UTAD só tinha atribuido até hoje um doutorado honoris causa. Foi em 1989 ao então primeiro-ministro holandês Rudolfus Franciscus Marie Lubbers, sendo na altura a proposta feita pelo já falecido Reitor Fernando Real.

Carnaval de Podence aposta na qualidade

NN - publicado segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2007

            
A Casa do Careto de Podence vai a pouco e pouco impondo o Carnaval desta aldeia macedense no panorama do Carnaval Transmontano.

Depois de um trabalho de divulgação que levou, através do careto, o concelho de Macedo de Cavaleiros e a região do Nordeste Transmontano ao país e ao mundo, agora os responsáveis pelo Grupo de Caretos de Podence apostam num programa de qualidade.

O Carnaval de Podence arrancará no próximo dia 18 de Fevereiro e manter-se-á com actividades constantes até ao dia 20 do mesmo mês. Durante estes três dias desfilarão pela ruas da aldeia de Podence os tradicionais caretos, ao mesmo tempo que se desenvolverão um conjunto de iniciativas onde se destaca uma mini feira de produtos regionais e artesanato, demonstrações de gastronomia regional e um conjunto de iniciativas de índole eminentemente etnográfico, que pretendem demonstrar a riqueza e a singularidade da cultura desta região.

Para o dia 19 está marcada para as 21 horas da noite, na Casa do Careto, a projecção do filme “Máscaras”, uma película que a documentarista Noémia Delgado filmou em 1976.

Apresentado quase só em festivais e sessões especiais, o filme “Máscaras” voltará a ser exibido numa projecção única, a 19 de Fevereiro (21.00), no âmbito do programa de Carnaval da Casa do Careto, em Podence.

«Mais de trinta anos após a estreia - que teve lugar a 14 de Junho de 1976, na Biblioteca Nacional -, este documentário, narrado pelo falecido poeta Alexandre O’Neill, dá a conhecer a preparação e celebração das Festas dos Caretos, uma das mais ancestrais tradições do Nordeste Transmontano.

Filmado nas aldeias de Bemposta, Podence e Rio de Onor, “Máscaras” é “um filme muito belo, um exemplo de documentarismo modesto de meios mas rico de intervenção e encantamento”, escreveu o crítico de cinema Jorge Leitão Ramos, no Dicionário do Cinema Português 1962-1988 (ed.Caminho).»

Noémia Delgado testemunha neste seu documentário a vivacidade e o surpreendente realismo de uma tradição “quase perdida na década de 1970, em consequência da ditadura e do fenómeno da emigração”.

O filme “Máscaras” foi já objecto de estudo para muitos antropólogos e etnólogos, “vindo agora a ser exibido em cópia cedida pela realizadora, graças a uma parceria estabelecida entre a Casa do Careto e a Durante-Associação Cultural”, refere António Carneiro da Casa do Careto de Podence.

Todo o programa do “Entrudo Chocalheiro”, a realizar em Podence de 18 a 20 de Fevereiro 2007, está disponível no site dos Caretos de Podence.
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«Achadas e Perdidas» encontram-se em Vila Real

NN - publicado domingo, 4 de Fevereiro de 2007

            
No primeiro dia de Fevereiro sobe ao palco do teatro de Vila Real a estreia da peça de teatro “Achadas e Perdidas”, numa digressão que correrá o país de lés-a-lés e cuja protagonista é a conhecida actriz brasileira Maitê Proença, em parceria com a actriz Claudia Borioni.

Esta comédia da autoria e dramaturgia da actriz Maitê Proença, foi baseada no seu livro "Entre Ossos e a Escrita", editado no ano de 2004.

Amor, futebol, mulheres, homens serão os assuntos que estas duas artistas de "Achadas e Perdidas", que encarnarão na pele de 18 personagens diferentes.

Maitê Proença, de 47 anos de idade, estreou-se em novelas no Brasil em 1980 e ficou conhecida no nosso país pela sua participação em novelas como, "Dona Beija", "Jogo da Vida", "Guerra dos Sexos", entre outras.

Além de Vila Real, Lisboa, Porto, Famalicão e Figueira da Foz, são algumas das localidades onde esta peça de teatro vai subir ao palco.

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